Refogado de vegetais e painço

Aqui em Nova York, nessa época do ano, as abobrinhas reinam nas feiras e nas prateleiras dos supermercados com seus diferentes formatos, tamanhos, cores e sabores. É lindo de ver!!!  Verde, amarela, listrada, redonda, comprida - as abobrinhas dão em abundância no verão. Por isso, já tem uma semana que como diferentes tipos de abobrinhas, dos jeitos mais variados.  Crua, refogada, assada, em forma de carpaccio, barquinho, macarrão... Não tem jeito mais gostoso de saborear o verão!

Ontem fiz um refogado de abobrinha com repolho e servi com painço e homus, postei a foto do prato no instagram perguntando qual daquelas receitas o pessoal gostaria de ter. No final a maioria escolheu todas!!! Então aqui estão as receitas do refogado e do painço. Mas a do homus, vou ter que deixá-los com água na boca até a segunda temporada do programa que vai ao ar em setembro!!!

A abobrinha é rica em água (95% de sua composição), o que a torna uma ótima opção para hidratar o corpo no verão. Ela não é um vegetal riquíssimo em nutrientes, mas dá um belo colorido e frescor para o prato, além de ser um alimento de fácil digestão, com propriedades anti-cancer.

Refogado:
1/2 abobrinha verde, cortada em quartos
1/2 abobrinha amarela, cortada em quartos (se não tiver amarela, pode usar a verde)
1/4 repolho-roxo, fatiado em tiras finas
1/2 cenoura ralada
1/2 abacate hass (avocado),  cortado em cubos médios
1/2 cebola, picada
3 colheres de azeite de oliva
Sal marinho
Pimenta do reino moída na hora
Suco de 1 limão

Modo de preparo:

  1. Esquente o azeite numa panela média e doure a cebola.
  2. Adicione os vegetais, salpique com sal e pimenta e refogue em fogo médio por 6-8 minutos com a panela tampada (ou até os vegetais ficarem aldentes).
  3. Acrescente o abacate e limão e cozinhe por mais 2 minutos, misturando bem.
  4. Sirva quente ou frio!!!

Painço é o meu grão favorito...e dos passarinhos também! Na verdade, o painço é uma semente (assim como a quinoa), mas no ramo da culinária, classificamos ambos como grãos. De fácil digestão e com um índice glicêmico menor do que dos outros grãos, o painço é um ótimo carboídrato para ser consumido sem elevar muito o açúcar no sangue.  Ele tem uma textura bem fofinha, seca e leve. Então como eu gosto de coisas secas e crocantes, cozinho o meu painço com a proporção de 1 copo de painço para 2 de água. Mas caso prefira o painço mais molhadinho e cremoso, com consistência de purê ou polenta, use a proporção 1:3. Sinceramente, vale à pena testar das duas formas!!! E quando for comprar o painço, procure sem casca. A casca é muito fibrosa e não dá para comer.

Nessa receita, também usei o cardamomo, para dar um aroma especial ao prato. Adoro esse tempero muito usado na culinária ayurveda, que é um tonificante do sistema digestivo. E é sempre bom lembrar que digestão boa é sinônimo de uma boa saúde!

Painço com Salsinha

2 copos de painço
4 copos de água
5 cardamomos em grãos ou 1 colher de café de cardamomo em pó
1 colher de chá de gengibre picado
3 colheres de sopa de azeite ou ghee 
1 colher de chá de sal marinho
1/2 maço de salsinha picada

  1. Lave bem o painço e escorra toda a água.
  2. Refogue o gengibre e cardamomo no azeite ou ghee. Acrescente o painço, água e sal. Cozinhe por 30 minutos em fogo baixo com a panela tampada. Desligue o fogo e misture a salsinha.

Bom apetite!!!


Sopa dos Deuses

Esta sopa está mais para um “Manjar dos Deuses” do que qualquer outra coisa! A primeira vez que comi foi na casa da minha amiga Lu Curtis aqui em Nova York. Era inverno e essa sopa, cremosa, quentinha e com o toque picante do gengibre caiu como uma luva. Foi amor a primeira colherada! Me apaixonei pela sopa e agora que estou de volta a NY, posso reproduzi-la com os mesmos ingredientes. A Lu faz a sopa com “yam” (a batata-doce cor de laranja) e abóbora, mas ontem fiz com yam, cenoura e um toque especial de castanha. O legal é que com essa sopa, você pode brincar e variar os vegetais cor de laranja que tiver em casa. Pode usar, cenoura, yam e vários tipos de abóbora. No Brasil não temos yam, então podemos usar a batata-doce tradicional, com um pouco de cenoura e/ou abóbora. E a abóbora pode ser a moranga, comprida, kabocha, e por aí vai... Eu AMO a diversidade dos vegetais!!!

                                                                          Imagem retirada do google

                                                                          Imagem retirada do google

Mas para não deixar vocês confusos, o importante para sopa é ter a batata-doce para dar doçura e a cenoura ou abóbora para dar cor e muitos antioxidantes!

A abóbora e a cenoura são dois vegetais riquíssimos em beta-caroteno, um antioxidante poderoso que ajudam a combater os radicais livres e portanto o envelhecimento celular.  E a batata-doce ajuda a estabilizar os níveis de açúcar no sangue, que junto com o gengibre, tonifica o sistema digestivo. Desse “manjar”, os diabéticos vão poder comer sem preocupacão.

Receita:

  • 4 batatas-doces pequenas
  • 1 abóbora comprida média ou 5 cenouras grandes (ou uma mistura dos 2)
  • ½ cebola picada
  • 1 colher de sopa de azeite de oliva
  • 3 colheres de chá de gengibre picado
  • 5 cravos
  • 1 colher de café de canela
  • 1 colher de chá de sal marinho
  • 1 punhado de castanha de caju torrada (opcional)
  • água 

Procedimento:

  1.  Descasque e corte a batata-doce e abóbora em pedaços médios (se usar a    cenoura, não precisa descascá-la).
  2. Aqueça o azeite em uma panela, adicione a cebola e o gengibre e refogue por alguns minutos até dourar.
  3. Acrescente os legumes, sal, cravo e canela e cubra com água.
  4. Deixe ferver e cozinhe em fogo baixo por 20 minutos com a panela tampada.
  5. Desligue o fogo e acrescente a castanha. Bata tudo no liquidificador com a água do cozimento (você pode ou não precisar de toda a água, depende da consistência que você deseja para a sopa).
  6. Decore com uma pitada de canela, sementes de abóbora ou as próprias castanhas.

 

Mix de quinoa e arroz integral com legumes e molho de tahine

Não reparem na qualidade da foto! Eu não tinha uma boa máquina comigo na hora. Mas quis postar a foto mesmo assim, pois acho que passa bem a simplicidade do prato.

Não reparem na qualidade da foto! Eu não tinha uma boa máquina comigo na hora. Mas quis postar a foto mesmo assim, pois acho que passa bem a simplicidade do prato.

Eu, minha filha e meu marido, mais outros amigos fomos passar o final de semana em Upstate NY (lugar maravilhoso para as crianças, com rios, cachoeiras e bastante mato para brincarem e respirarem bem).

Pegamos a estarda de volta ontem, paramos no cinema para ver o jogo do Brasil vs. Camarões (ah, que felicidade ver o Brasil brilhar)  e chegando em casa me deparo com a geladeira meio vazia, tendo que retomar o ritmo da vida na cozinha.

Tínhamos um pouco de brócolis e couve-flor já lavados na geladeira - ter vegetais sempre cortados e limpos na geladeira, salva qualquer mãe/mulher do disk pizza - Quando chegar da feira, lave alguns vegetais para deixar o trabalho na cozinha já meio caminho andado. Essa é uma ótima dica para não ter preguiça de cozinhar bem em casa.

Tínhamos também um pacotinho de quinoa vermelha e uns restinhos de arroz integral e selvagem. Juntei os cereais na base de 80% quinoa e 20% de arroz. E para incrementar usei tahine, limão, shoyu e água para fazer o molho. Estava ficando tudo uma delicia já na minha cabeça. Mas minha filha, fuxiqueira e louca por cozinha achou um pedaço de tofu e tomatinhos cerejas que ela é apaixonada (sempre deixo ela comer os tomatinhos que ama aqui no verão de NY, a cidade fica lotada dessas delícias orgânicas e fica difícil recusar), e pediu que eu colocasse. Não poderia ter ficado melhor!!!!

Não é porque não planejamos que não irá dar certo. As vezes, as melhores coisas da vida acontecem sem planejamento. Um amor à primeira vista, um beijo roubado, um filme sem expectativas, uma festa surpresa, etc. E esse prato foi assim, repentino, sem expectativas, mas uma delícia. Existe um ditado aqui na América que eu adoro: “No expectation, no frustration”. Não temos como nos decepcionar se não tivermos expectativas. O que resume bem o prato de hoje: bem simples, mas muito gostoso e saudável.

Receita:

  • 2 copos de mix de quinoa e arroz, (80%quinoa, 20%arroz)
  • 1/2 brócolis americano
  • 1/2 couve-flor
  • 100gr de tofu
  • 1 punhado de tomate cereja
  • Azeite
  • Água

Molho:

  • 1/2 copo de Tahine
  • 1/2 copo de água
  • 1 limão
  • 1 colher de sopa de shoyu

Modo de preparo:

1.    Colocar uma panela de água para ferver com sal (o suficiente para cozinhar os legumes). Adicionar o brócolis e couve-flor a água fervente por 1 min. Retirar os legumes e colocar numa tigela, reserve a água do cozimento na panela.

2.    Lavar bem o arroz e a quinoa (esse passo é muito importante porque a quinoa contém saponina, uma resina tóxica prejudicial que é eliminada na lavagem. Normalmente os fabricantes de quinoa fazem uma pré lavagem com água alcalina para eliminar as soponinas, mas é sempre bom lavar novamente para tirar qualquer resíudo).

3.    Colocar 2 colheres de sopa de azeite virgem ou ghee na panela, adicionar o mix de quinoa e arroz e acrescentar 2 copos de água do cozimento dos legumes. Deixar ferver, tampar, baixar o fogo e cozinhar por 20 minutos.

4.    Enquanto a quinoa cozinha, prepare o molho de tahine. Misture todos os ingredientes do molho numa tigela e acrescente aos legumes. Misture bem. Pode adicionar os tomates cerejas cortados ao meio se desejar e o tofu. Eu usei tofu assado que já compramos pronto no supermercado aqui em NY. Mas pode usar o tofu firme, cru mesmo, que misturado ao molho de tahine também fica delicioso.

5.    Para finalizar, eu polvilhei um pouco de alga marinha para dar acrescentar uma boa dose de iodo natural ao prato. Eu usei essa marca de algas marinhas secas que são fáceis de encontrar por NY, qualquer loja ou mercado de produtos naturais tem. E como estou em NY, aproveito para usar e abusar desses produtinhos incríveis que fazem todas a diferença na nutrição do prato. Essa alga que usei se chame dulse, riquíssima em iodo, o que ajuda a manter a saúde da tireoide!!!

                                                                                       Foto retirada do google

                                                                                       Foto retirada do google

Ficou uma refeição divina. Melhor que qualquer restaurante e sem fazer quase nada de bagunça na cozinha. (Uma das grandes vantagens da cozinha vegana).